Domingo, 14 de agosto de 2022

AFTOSA: Paraná deve ter a última campanha de vacinação em 2018

13/11/2017
O Paraná quer obter o reconhecimento de área livre de febre aftosa já em 2021, enquanto a previsão do MAPA é que isso ocorresse só em 2024. Assim, em 2018 pode ocorrer a última campanha da vacinação contra a doença. Entidades de criadores apoiam o pleito.

Em novembro de 2018 poderá ocorrer a última campanha de vacinação contra a febre aftosa nos rebanhos do Paraná, como parte do movimento em prol da busca pelo reconhecimento de área livre da doença já a partir de 2021 e não em 2024 conforme prevê o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Entidades de criadores do estado aprovam a medida, que elevará o status sanitário do Paraná e permitirá a comercialização de carnes produzida no estado para boa parte do mercado exterior, especialmente para países mais exigentes que remuneram melhor o produto.

O titular da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (SEAB), Norberto Ortigara, tem percorrido o estado para promover a medida junto às entidades de produtores, como aconteceu no dia 9 de novembro, na cidade de Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais. Junto com membros da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (ADAPAR), Ortigara se esforça em explicar os benefícios em suspender a vacinação contra febre aftosa para a economia paranaense.

De acordo estudos encomendados pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), a suspensão da vacinação no rebanho do estado deverá resultar numa economia de quase R$ 1,5 bilhão, em valores atuais, para um período de duas décadas, com a valorização da carne, decorrente da conquista de mercados, suspensão da vacinação e outros custos.

O secretário Norberto Ortigara estima que pelo menos dois terços da carne suína produzida no Paraná esteja fora do mercado mundial, “porque o Paraná ainda vacina o gado contra febre aftosa, considerado um instrumento arcaico em todo o mundo”. O mesmo vale para os suínos produzidos no estado, sendo que a Associação dos Suinocultores do Paraná (APS), entidade que representa os criadores de suínos do estado, já se manifestou em diversas ocasiões pelo fim da vacinação no rebanho suídeo do Paraná e em apoio ao movimento da SEAB, também por entender que o fim da vacinação permitirá que a carne suína do Paraná acesse um mercado que melhor remunera o produtor, apesar de ser mais exigente, o que ampliará o rol de países importadores da carne produzida no estado.

O secretário Ortigara entende que a vacinação pode e deve ser substituída pela vigilância na sanidade animal, com instrumentos que requerem mais tecnologia e estão integrados com o cenário atual. Segundo ele, essa substituição é possível, principalmente desde 2014, quando a Organização Internacional de Epizootias (OIE), que reconhece internacionalmente o status de regiões e países, mudou os critérios de identificação de focos de febre aftosa e formas de solucionar o problema.

De acordo com esses novos critérios, se a região ou País comprovar que tem agilidade e capacidade para acionar o serviço de sanidade, identificar com rapidez o foco da doença que possa surgir, estabelecer um raio de ação para controlar e erradicar o problema em 90 dias, a região pode voltar a abater e exportar. “Não precisa mais demorar 10 anos como era antes”, afirma Ortigara.

Mas, para isso, o serviço de Defesa Agropecuária precisa comprovar agilidade e substituir a vacina pela vigilância permanente, que dá muito mais trabalho

 

ANTECIPAÇÃO

 

O Paraná já acordou auditoria junto ao Ministério da Agricultura, que é quem vai reconhecer se o estado pode ser considerado livre ou não de febre aftosa sem vacinação. Os resultados serão conhecidos a partir de janeiro, quando a auditoria já estiver concluída.

De acordo com o diretor-presidente da Adapar, Inácio Afonso Kroetz, essa auditoria tem o propósito de verificar a capacidade do serviço veterinário, suas fortalezas e vulnerabilidades e as ações que são críticas para o alcance do novo status.

A Adapar está segura dos passos que está adotando e que está seguindo todo o receituário recomendado, faltando bem pouco a ser concluído. O secretário Norberto Ortigara acrescentou que, em maio de 2018, o Ministério da Agricultura retirará uma cepa (vírus) da vacina em função da ausência de casos clínicos. “Não dá mais para continuar vacinando”, disse Ortigara.

Se o Mapa autorizar o Paraná a ir em frente, o que vai acontecer é que o Estado fará o pedido de reconhecimento do novo status independente do bloco a que pertenceria, que inclui os estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul.

 

CRONOGRAMA

 

O Paraná pretende constituir uma zona única no estado, livre de febre aftosa sem vacinação, independente de blocos, fato que aconteceu com o estado de Santa Catarina, há 17 anos. Com isso, a previsão é que a última campanha de vacinação contra febre aftosa ocorra em novembro de 2018 e o reconhecimento da OIE ocorra em maio de 2021, quando acontece a reunião anual dos 183 países vinculados à instituição que ficam sabendo do reconhecimento do novo status e podem reprogramar suas compras de proteína animal no mercado mundial.

 

Confira o cronograma estabelecido:

 

1- Auditoria do Mapa: em curso

2- Última campanha de vacinação: Novembro de 2018

3- Comunicado da suspensão da vacinação à OIE: Abril/2019

4- Fechamento de fronteiras para exames de sorologia: 2º semestre de 2019 e 1º semestre de 2020

5- Ministério da Agricultura reconhece a região como livre de febre aftosa sem vacinação (baseado nos resultados da sorologia): 2º semestre de 2020

6- Encaminhamento da resolução do Mapa ao comitê científico da OIE para ser votado: até setembro de 2020

7- Assembleia Geral da OIE delibera sobre o assunto: 1º semestre de 2021

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