Domingo, 14 de agosto de 2022

Reflexos do novo status sanitário do Paraná

18/06/2021
Estimativas do IAPAR, Instituto Agronômico do Paraná, apontam que a conquista do novo status sanitário fará com que as exportações paranaenses de carne suína dobrem de volume, saindo do patamar de 100 mil toneladas, para mais de 200 mil toneladas/ano.

Uma economia de cerca de R$ 20 milhões por ano, valor que era destinado pelos pecuaristas do Paraná para a aquisição de vacina contra a febre aftosa para imunizar seus rebanhos, além da garantia da produção de uma carne de melhor qualidade, sem as reações causadas pela vacinação no gado, que levava à produção de uma carne mais enrijecida, muitas vezes proveniente de animais com abcessos e edemas, o que desvalorizava o produto e não permitia que o estado acessasse mercados mais exigentes, mas que valoram mais o produto, em razão da sanidade mais elevada.

Também, a estimativa de se aumentar o volume das exportações paranaenses devido a abertura de novos mercados, como o Japão, a Coreia do Sul, o México e o Canadá, que não compram carne do Paraná, pois o estado mantinha o status sanitário de área livre de febre aftosa, porém, sob a condição de vacinar o seu plantel.

Agora, ao avançar no mercado mundial de carnes, o Paraná criará um ambiente melhor para ajustar o mercado interno e, por consequência, buscar um melhor preço para o produto, afinal, enquanto a produção se mantém em alta e o consumo per capta interno ainda não é o ideal, especialmente no que diz respeito à carne suína, a melhor vazão do produto através das exportações fará com que haja melhor oferta de preço no mercado doméstico. Ao menos é o que se espera.

Mas tudo isso pode ser projetado porque Paraná tem um novo status sanitário e hoje é internacionalmente reconhecido pela Organização Mundial da Saúde Animal como área livre de febre aftosa, sem vacinação. Não há registro da doença desde 2006, portanto, o vírus da aftosa está erradicado do território paranaense há cerca de 15 anos. Para melhorar ainda mais a condição sanitária do Paraná, no que tange à suinocultura, o estado também foi reconhecido como área livre de Peste Suína Clássica, a PSC, que está trazendo preocupação em estados do nordeste brasileiro, com a ocorrência de alguns focos da doença, justamente na região a qual o Paraná estava vinculado até recentemente, quando conseguiu se tornar área exclusiva livre de PSC, assim como Santa Catarina e o Rio Grande do Sul, estados que hoje compõem uma região livre de aftosa sem vacinação e também de PSC.

Se essa condição já demonstrou, no caso de Santa Catarina, que pode aumentar a exportação de carne suína, é o que se espera agora no Paraná, sendo que estimativas do IAPAR, Instituto Agronômico do Paraná, apontam que a conquista do novo status sanitário fará com que as exportações paranaenses de carne suína dobrem de volume, saindo do patamar de 100 mil toneladas, para mais de 200 mil toneladas/ano.

Enquanto se espera esse resultado positivo à carne suína produzida no estado, também as cadeias de carne bovina, de aves e de leite devem se beneficiar com o acesso a mercados que remuneram melhor um produto de reconhecida qualidade sanitária, oriundo de uma região com o novo status sanitário conquistado pelo Paraná.

De outro lado, o estado paranaense, que já contribuía com a produção nacional de suínos e é um dos maiores produtores, se iguala ao vizinho estado de Santa Catarina em se tratando de condição sanitária, e se encontra ainda em melhores condições de produzir carne se observada sua territorialidade como produtor de grãos, sendo o farelo de soja e o milho os principais componentes da ração animal.

Na pecuária, o Paraná é um importante produtor de carne bovina de corte e autossuficiente na produção de bezerros. O programa Pecuária Moderna contribuiu em muito para que a atividade chegasse nesse patamar, sendo que a bovinocultura de corte do Paraná tem potencial para incorporar até 4 milhões de cabeças de bovinos em área atualmente subutilizadas, e prevê-se que haja uma evolução natural do rebanho até 2025. Com esse quadro consolidado, pode-se falar em um incremento bilionário na economia paranaense, se levado em conta o preço médio por cabeça e a elevação do número de bezerros produzidos no estado, com essa expansão prevista para a pecuária do Paraná.

No setor suinícola, as perspectivas não são diferentes, haja vista os movimentos feitos, por exemplo, por cooperativas que participam do fomento, gerando matéria-prima para seus braços industriais, algumas já expandindo sua capacidade de abate diário para atender a demanda mundial por carne. E o mesmo se dá quanto à agroindústria, que busca aumentar suas áreas de alojamento para ter maior produção nas granjas, para produzir mais em suas unidades de abate e transformação.

Ou seja, mais animais em campo representam maior produção na indústria e mais alimento disponível ao mercado, especialmente para exportar ao mundo. É o que o novo status sanitário do Paraná deve proporcionar.

Nesse contexto, é importante destacar a relevância do trabalho de defesa agropecuária no Paraná. Pode-se afirmar que a conquista do novo status se deve especialmente ao trabalho eficaz da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná, a Adapar, que nos últimos anos tem demonstrado total competência de suas equipes de técnicos, seja na área administrativa, na condução das estratégias estabelecidas pelo Estado para proteger seus planteis, seja a campo, junto às barreiras físicas nas fronteiras estaduais e nas granjas, onde se desenvolve um trabalho sério e comprometido junto aos produtores. Não fosse essa eficiência da Adapar, considerada uma das melhores agências de defesa agropecuária do Brasil, certamente o Paraná não teria obtido esse novo status sanitário. E justamente pela sua forma de atuar, a Adapar acabou conquistando o respeito do produtor e de suas entidades representativas, como a Associação Paranaense de Suinocultores, que sempre procurou respaldar as ações do órgão, destacando a importância do seu trabalho, numa verdadeira sinergia entre a área técnica e os produtores.

Em meio a discursos políticos e da busca pela paternidade das conquistas que se consolidam ao longo do tempo, é bom que se registre o excelente trabalho técnico e operacional das equipes que integram o serviço veterinário oficial, no Paraná, e a dedicação plena de profissionais competentes, que sabem muito bem seguir as políticas governamentais, para executar satisfatoriamente as estratégias elaboradas, complementadas por muitas horas de trabalho a campo para que só então ocorram os resultados econômicos que se espera, do campo à indústria.

Um viva ao Paraná, pela conquista do novo status sanitário, e os cumprimentos ao produtor paranaense de proteína animal, personagem que participa dessa nova conquista, na expectativa de melhores condições na sua atividade.

(Artigo de Cesar da Luz, CEO do Grupo Agro10, especialista em Agronegócio. E-mail: cesardaluz@agro10.com.br)

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